sábado, 2 de junho de 2012

Desertificação

 
 
Era verde,

Tornou-se árido.

Solo estéril,

Incapaz de fazer nascer.

Por ali já passaram borboletas

E um rio que ousou desaparecer...

Molhei meus pés naquelas águas,

Que por vezes me fizeram escorregar

No limo que cobria as mesmas pedras,

Que hoje , desnudas, teimam em ficar.

Não ouço o barulho da floresta

Não vejo animais se revelando

Só sinto o cheiro das queimadas

E da fumaça que vou respirando

Quando era bem pequenina,

Bastava fechar os olhos para não ver

Aquilo que não queria,

Ou que me fazia sofrer.

Hoje, já não basta fechar os olhos

É covardia deixar de ver

A natureza que se vai embora

E que não quero e não vou esquecer.



Cristina Ferber