sábado, 23 de junho de 2012

O Oleiro e a Argila

(Para Afrânio)


A argila toma forma

nas mãos do hábil oleiro

cuja obra se consuma

em êxtase e devaneios.

A escultura não nasce pronta

sequer conhece o obreiro

que a conduz por caminhos

em gentis passos certeiros.

Perfeitas curvas vão surgindo

por entre movimentos e apelos

e o barro vai se abrindo

a cada toque de dedos.

Terminada a obra prima

o artesão então se afasta

sua satisfação se finda

quando começa a da amada.



Cristina Ferber

domingo, 17 de junho de 2012

A Borboleta e o Girassol

(Para Afrânio)



Seu júbilo vem do firmamento,

espelho de luz, sentimento,

ostentando o amor na face,

no convite ao enlace.

Atraída pela cor se aconchega,

a melindrosa borboleta,

e no girassol do amor,

ela faz o seu planeta.

Tem gente que é como girassol

pois ilumina o coração,

outras são como borboletas

atraídas pela sedução.

Similar a essa flor

é a sua imagem, não sei porque...

Meu amor girassol

me deixa ficar com você!



Cristina Ferber

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A Cigarra




No tronco da árvore
Ela descansava
Temerosa
Movimentos leves
A afastavam
Do homem
Voraz
Capaz
De destruir
Mas, não...
Ele a queria
Viva
Para sempre
A cantar
Mas ela silenciava
O medo
Assombrava
E então
Ele a eternizou
Na imagem
Da tela
Porque a vida
Da bela
É fugaz

Sonia Salim

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Primeiro Amor

 
 
Tem perfume de rosas

Sentimentos inconfessos

Pensamentos alados

E encontros secretos.



O olhar meditativo

esconde a mente galopante

E a dor no peito aperta

de tanto querer o amante.



O primeiro amor é terno e doce

Quando transborda de saudades,

Mas há os que queimam e consomem

De grande e teimosa ansiedade.



Ninguém esquece o primeiro cálice

De vinho do amor adolescente

Ninguém jamais experimenta

Desse eterno sabor novamente.



Cristina Ferber

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Corpus Christi



A Santa Ceia

A última ceia...

Daquele que confiou sua vida

e coração.



O pão e o vinho

em memória de Cristo

se fizeram despedida

em oração.



Serenidade,

apesar da certeza

de inevitável

traição.



No Corpo de Cristo

guardo minha nobreza

e em Suas palavras

busco salvação.



Cristina Ferber





segunda-feira, 4 de junho de 2012

Coração Pulsante

 
 
Possibilidade para mim

já é motivo de alegria

pois onde cresce a esperança

termina a tirania


Vencer desafios

me causa grande euforia

mas o que mais me interessa

é agir com ousadia


Uma vida só de delícias

com certeza não preencheria

a necessidade de conquistar

o que me escapa em demasia


Não quero glórias, nem deleites

dispenso adereços e alegorias,

somente quero que o meu ser

agite o mundo com energia.



Cristina Ferber

sábado, 2 de junho de 2012

Olhar Furta-Cor

De verde coloro a vida

lhe dando nova direção.

De branco cubro as emoções,

pacificando meu coração.


Há dias que cores mais quentes

são jogadas em minha janela,

dizem que são as mãos de Deus

mudando o cenário que me espera.


Se dependesse só de mim

azuis seriam os meus dias,

mas minh'alma furta-cor

impede tanta calmaria.


Há cores que ultrapassam

o poder da nossa retina

E as cores do nosso mundo

ficam encobertas por neblina.


É por isso que, ao acordar,

peço a Ele que ilumine

o precioso dom de reparar

no que a vida tem de mais sublime.



Cristina Ferber

Bumerangue Poético

Um sorriso,

um abraço,

uma palavra amiga,

vêm e vão

tal como o bumerangue

fonte de inspiração.

Ações positivas

e altruístas

criando um mundo de paz,

protegendo a vida,

encontrando no dia a dia

a felicidade prometida.

Arremesse seu bumerangue

E aguarde o retorno...

Leveza e suavidade virão

mandando embora o transtorno,

e a humildade será

seu mais belo adorno.

Arremessei meu bumerangue!



Cristina Ferber

Desertificação

 
 
Era verde,

Tornou-se árido.

Solo estéril,

Incapaz de fazer nascer.

Por ali já passaram borboletas

E um rio que ousou desaparecer...

Molhei meus pés naquelas águas,

Que por vezes me fizeram escorregar

No limo que cobria as mesmas pedras,

Que hoje , desnudas, teimam em ficar.

Não ouço o barulho da floresta

Não vejo animais se revelando

Só sinto o cheiro das queimadas

E da fumaça que vou respirando

Quando era bem pequenina,

Bastava fechar os olhos para não ver

Aquilo que não queria,

Ou que me fazia sofrer.

Hoje, já não basta fechar os olhos

É covardia deixar de ver

A natureza que se vai embora

E que não quero e não vou esquecer.



Cristina Ferber