domingo, 27 de maio de 2012

Pitty



(Poema em homenagem à minha mãe que acolheu a Pitty)


Em breve,

Pitty correrá pelo jardim

faceira e arteira,

atrás de borboletas...

Em seu rosto não haverá

Maus tratos e queimaduras

que lhe façam acreditar

num mundo sem candura.

E a bolinha rolará...

pelas escadas da vida

sem sofrimento e sem dor.

Pois agora,

bem longe da loucura...

Num lar de ternura,

Pitty encontrou o amor.



Cristina Ferber

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Meu Rei

Meu Rei me guia por águas calmas
e solos férteis e planos.
Em suas terras não há vento
Nem lágrimas de desencanto.

Com Ele nada temo,
não conheço incertezas e ansiedades
pois Meu Rei só tem palavras
de doçuras e bondades.

Em seus olhos encontro o céu
em sua voz encontro o mar
em seus gestos me entrego ao mundo
amando a todos e me deixando amar.

Quando estiver aflito,
vá às terras do Meu Rei
ande pelos seus caminhos
E ouvirá: Nunca te deixarei!


Cristina Ferber


terça-feira, 22 de maio de 2012

Garra de Jaguar

Todos o chamam

de Garra de Jaguar

aquele jovem índio

de força singular.

A mata ele domina

nada o podendo deter

por ser ágil e veloz

e coisa alguma temer.

Acurada e penetrante é sua visão

de olhos verdes cintilantes

e com movimentos graciosos
 
se aproxima,

sem dar um passo errante.

Persegue com suavidade

dentro da úmida e escura floresta

sem nunca perder de vista,

a presa que se tornou promessa.



Cristina Ferber

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Arte Urbana

Na parede corrompida

Surge um rosto de mulher

Em contornos suaves

Mostrando no desenho

Feminilidade...

Grafite que transforma o feio

Em obra de arte...

O amor precisa de espaço

De cúmplices,

E no desenho encontra seu traço.

Não há marchant, nem ateliê,

Somente as ruas

Eu e você,

Expressando o momento

Que não se quer deixar

Obra que não foi feita

Para durar...

Quem será ele,

O artista apaixonado?

Quem será ela,

O ser idolatrado?



Cristina Ferber

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Aves Migratórias

Elas sabem onde estão
E sabem para onde vão.
Têm estratégias para viver
E superar.
Voam sobre paisagens
E luzes invisíveis
Seguem o sol e as estrelas,
Decifram o ar...
Aves Migratórias
Que atravessam continentes
Visitam lugares inesquecíveis
Num mistério sem par...
Não sei quem sou
Ou para onde estou indo
Não conheço nem mesmo
O meu lugar.
Quisera eu,
Ser ave viajadeira
E quem sabe não sofreria
Por não querer ficar...

Cristina Ferber

                 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Se as coisas fossem Mães



 



Sylvia Orthof


Se a lua fosse mãe, seria mãe das estrelas,
O céu seria sua casa, casa das estrelas belas.
Se a sereia fosse mãe, seria mãe dos peixinhos,
O mar seria um jardim e os barcos seus caminhos.
Se a casa fosse mãe, seria a mãe das janelas,
Conversaria com a lua sobre as crianças-estrelas,
Falaria de receitas, pastéis de vento, quindins,
Emprestaria a cozinha pra lua fazer pudins!
Se a terra fosse mãe, seria mãe das sementes,
pois mãe é tudo que abraça, acha graça e ama a gente.
Se uma fada fosse mãe, seria a mãe da alegria.
Toda mãe é um pouco fada... Nossa mãe fada seria.
Se uma bruxa fosse mãe, seria mamãe gozada:
Seria a mãe das vassouras, da Família Vassourada!
Se a chaleira fosse mãe, seria a mãe da água fervida,
Faria chá e remédio para as doenças da vida.
Se a mesa fosse mãe, as filhas, sendo cadeiras,
Sentariam comportadas, teriam “boas maneiras”.
Cada mãe é diferente: Mãe verdadeira, ou postiça, mãe-vovó, mãe titia,
Maria, Filó, Francisca, Gertrudes, Malvina, Alice, toda mãe é como eu disse.
Dona Mamãe ralha e beija,
Erra, acerta, arruma a mesa, cozinha, escreve, trabalha fora,
Ri, esquece, lembra e chora, traz remédio e sobremesa.
Tem até pai que é “tipo-mãe”...
Esse, então, é uma beleza !

terça-feira, 1 de maio de 2012

Coração de vagalume (Coeur de luciole)


Usando palavras

Nos mostramos ao mundo

Chegamos ao outro

E o tocamos profundo

Brincamos com elas

Criamos estratagemas

Fazemos metáforas

E lindos poemas...

Há palavras que ferem

E outras que aliviam

Umas são flechas

Outras são carinhos...

Cactos ou rosas

Urtigas ou jasmim

No nosso universo

Temos um imenso jardim

Então se um dia

Não puder escolhê-las

Talvez pela pressa

Ou por não conhecê-las

Fique em silêncio

Apenas sinta o perfume

E se deixe guiar

Pelo coração do vagalume.

Um dia te conto

Como é esse coração...

Por hora apenas demonstre

Sem palavras...

A sua mais genuína afeição!

Cristina Ferber