domingo, 5 de agosto de 2012

Pai Olímpico



Um Pai Olímpico sabe que a brincadeira é tão importante para as crianças quanto respirar, e então brinca, nem que seja dez minutos por dia com os filhos.
Não é superatleta, mas sabe fazer exercícios de respiração e de aquecimento, antes de brincar com as crianças ensinando a disciplinar o corpo e a relaxar a mente.
Não é técnico profissional, mas sabe preparar um kit de frutas, legumes, verduras e água, explicando à criança a importância dos alimentos saudáveis.
Não é maratonista famoso como Marilson Gomes, mas pode caminhar com a criança levando-a pelas mãozinhas, ensinando-a a andar, enquanto a mamãe prepara a mamadeira ou indo até a padaria para buscar um pão quentinho.
Não é um Neimar, mas faz apenas um gol e deixa o filho ganhar de três a um, jogando bola no quintal de casa ou na quadra.
Um pai olímpico faz pipoca e escolhe um filme junto com as crianças e depois os ensina a deixar tudo limpinho ajudando a mamãe na organização e limpeza do ambiente.
Um Pai Olímpico educa as crianças ensinando coisas novas em todas as oportunidades.
Parabéns a todos os Pais Olímpicos como você!

Autoria: Solange R. Britto.

domingo, 22 de julho de 2012

Fazer um céu, com pouco a gente faz
basta uma estrela
uma estrela e nada mais.
Pra ter nas mãos o mundo
basta uma ilusão
um grão de areia
é o mundo em nossa mão.
Sonhar é dar à vida nova cor
dar gosto bom às lágrimas de dor
o sol pode apagar, o mar perder a voz
mas nunca morre um sonho bom dentro de nós.

MÁRIO LAGO
(Rio de Janeiro-1911-2001)

Basta o essencial!



Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis para discutir assuntos inúteis que não levam a nada.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…

Quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absoluto, nunca será perda de tempo.

O essencial faz a vida valer a pena.

Basta o essencial!

Rubem Alves

sábado, 23 de junho de 2012

O Oleiro e a Argila

(Para Afrânio)


A argila toma forma

nas mãos do hábil oleiro

cuja obra se consuma

em êxtase e devaneios.

A escultura não nasce pronta

sequer conhece o obreiro

que a conduz por caminhos

em gentis passos certeiros.

Perfeitas curvas vão surgindo

por entre movimentos e apelos

e o barro vai se abrindo

a cada toque de dedos.

Terminada a obra prima

o artesão então se afasta

sua satisfação se finda

quando começa a da amada.



Cristina Ferber

domingo, 17 de junho de 2012

A Borboleta e o Girassol

(Para Afrânio)



Seu júbilo vem do firmamento,

espelho de luz, sentimento,

ostentando o amor na face,

no convite ao enlace.

Atraída pela cor se aconchega,

a melindrosa borboleta,

e no girassol do amor,

ela faz o seu planeta.

Tem gente que é como girassol

pois ilumina o coração,

outras são como borboletas

atraídas pela sedução.

Similar a essa flor

é a sua imagem, não sei porque...

Meu amor girassol

me deixa ficar com você!



Cristina Ferber

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A Cigarra




No tronco da árvore
Ela descansava
Temerosa
Movimentos leves
A afastavam
Do homem
Voraz
Capaz
De destruir
Mas, não...
Ele a queria
Viva
Para sempre
A cantar
Mas ela silenciava
O medo
Assombrava
E então
Ele a eternizou
Na imagem
Da tela
Porque a vida
Da bela
É fugaz

Sonia Salim

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Primeiro Amor

 
 
Tem perfume de rosas

Sentimentos inconfessos

Pensamentos alados

E encontros secretos.



O olhar meditativo

esconde a mente galopante

E a dor no peito aperta

de tanto querer o amante.



O primeiro amor é terno e doce

Quando transborda de saudades,

Mas há os que queimam e consomem

De grande e teimosa ansiedade.



Ninguém esquece o primeiro cálice

De vinho do amor adolescente

Ninguém jamais experimenta

Desse eterno sabor novamente.



Cristina Ferber

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Corpus Christi



A Santa Ceia

A última ceia...

Daquele que confiou sua vida

e coração.



O pão e o vinho

em memória de Cristo

se fizeram despedida

em oração.



Serenidade,

apesar da certeza

de inevitável

traição.



No Corpo de Cristo

guardo minha nobreza

e em Suas palavras

busco salvação.



Cristina Ferber





segunda-feira, 4 de junho de 2012

Coração Pulsante

 
 
Possibilidade para mim

já é motivo de alegria

pois onde cresce a esperança

termina a tirania


Vencer desafios

me causa grande euforia

mas o que mais me interessa

é agir com ousadia


Uma vida só de delícias

com certeza não preencheria

a necessidade de conquistar

o que me escapa em demasia


Não quero glórias, nem deleites

dispenso adereços e alegorias,

somente quero que o meu ser

agite o mundo com energia.



Cristina Ferber

sábado, 2 de junho de 2012

Olhar Furta-Cor

De verde coloro a vida

lhe dando nova direção.

De branco cubro as emoções,

pacificando meu coração.


Há dias que cores mais quentes

são jogadas em minha janela,

dizem que são as mãos de Deus

mudando o cenário que me espera.


Se dependesse só de mim

azuis seriam os meus dias,

mas minh'alma furta-cor

impede tanta calmaria.


Há cores que ultrapassam

o poder da nossa retina

E as cores do nosso mundo

ficam encobertas por neblina.


É por isso que, ao acordar,

peço a Ele que ilumine

o precioso dom de reparar

no que a vida tem de mais sublime.



Cristina Ferber

Bumerangue Poético

Um sorriso,

um abraço,

uma palavra amiga,

vêm e vão

tal como o bumerangue

fonte de inspiração.

Ações positivas

e altruístas

criando um mundo de paz,

protegendo a vida,

encontrando no dia a dia

a felicidade prometida.

Arremesse seu bumerangue

E aguarde o retorno...

Leveza e suavidade virão

mandando embora o transtorno,

e a humildade será

seu mais belo adorno.

Arremessei meu bumerangue!



Cristina Ferber

Desertificação

 
 
Era verde,

Tornou-se árido.

Solo estéril,

Incapaz de fazer nascer.

Por ali já passaram borboletas

E um rio que ousou desaparecer...

Molhei meus pés naquelas águas,

Que por vezes me fizeram escorregar

No limo que cobria as mesmas pedras,

Que hoje , desnudas, teimam em ficar.

Não ouço o barulho da floresta

Não vejo animais se revelando

Só sinto o cheiro das queimadas

E da fumaça que vou respirando

Quando era bem pequenina,

Bastava fechar os olhos para não ver

Aquilo que não queria,

Ou que me fazia sofrer.

Hoje, já não basta fechar os olhos

É covardia deixar de ver

A natureza que se vai embora

E que não quero e não vou esquecer.



Cristina Ferber

domingo, 27 de maio de 2012

Pitty



(Poema em homenagem à minha mãe que acolheu a Pitty)


Em breve,

Pitty correrá pelo jardim

faceira e arteira,

atrás de borboletas...

Em seu rosto não haverá

Maus tratos e queimaduras

que lhe façam acreditar

num mundo sem candura.

E a bolinha rolará...

pelas escadas da vida

sem sofrimento e sem dor.

Pois agora,

bem longe da loucura...

Num lar de ternura,

Pitty encontrou o amor.



Cristina Ferber

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Meu Rei

Meu Rei me guia por águas calmas
e solos férteis e planos.
Em suas terras não há vento
Nem lágrimas de desencanto.

Com Ele nada temo,
não conheço incertezas e ansiedades
pois Meu Rei só tem palavras
de doçuras e bondades.

Em seus olhos encontro o céu
em sua voz encontro o mar
em seus gestos me entrego ao mundo
amando a todos e me deixando amar.

Quando estiver aflito,
vá às terras do Meu Rei
ande pelos seus caminhos
E ouvirá: Nunca te deixarei!


Cristina Ferber


terça-feira, 22 de maio de 2012

Garra de Jaguar

Todos o chamam

de Garra de Jaguar

aquele jovem índio

de força singular.

A mata ele domina

nada o podendo deter

por ser ágil e veloz

e coisa alguma temer.

Acurada e penetrante é sua visão

de olhos verdes cintilantes

e com movimentos graciosos
 
se aproxima,

sem dar um passo errante.

Persegue com suavidade

dentro da úmida e escura floresta

sem nunca perder de vista,

a presa que se tornou promessa.



Cristina Ferber

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Arte Urbana

Na parede corrompida

Surge um rosto de mulher

Em contornos suaves

Mostrando no desenho

Feminilidade...

Grafite que transforma o feio

Em obra de arte...

O amor precisa de espaço

De cúmplices,

E no desenho encontra seu traço.

Não há marchant, nem ateliê,

Somente as ruas

Eu e você,

Expressando o momento

Que não se quer deixar

Obra que não foi feita

Para durar...

Quem será ele,

O artista apaixonado?

Quem será ela,

O ser idolatrado?



Cristina Ferber

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Aves Migratórias

Elas sabem onde estão
E sabem para onde vão.
Têm estratégias para viver
E superar.
Voam sobre paisagens
E luzes invisíveis
Seguem o sol e as estrelas,
Decifram o ar...
Aves Migratórias
Que atravessam continentes
Visitam lugares inesquecíveis
Num mistério sem par...
Não sei quem sou
Ou para onde estou indo
Não conheço nem mesmo
O meu lugar.
Quisera eu,
Ser ave viajadeira
E quem sabe não sofreria
Por não querer ficar...

Cristina Ferber

                 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Se as coisas fossem Mães



 



Sylvia Orthof


Se a lua fosse mãe, seria mãe das estrelas,
O céu seria sua casa, casa das estrelas belas.
Se a sereia fosse mãe, seria mãe dos peixinhos,
O mar seria um jardim e os barcos seus caminhos.
Se a casa fosse mãe, seria a mãe das janelas,
Conversaria com a lua sobre as crianças-estrelas,
Falaria de receitas, pastéis de vento, quindins,
Emprestaria a cozinha pra lua fazer pudins!
Se a terra fosse mãe, seria mãe das sementes,
pois mãe é tudo que abraça, acha graça e ama a gente.
Se uma fada fosse mãe, seria a mãe da alegria.
Toda mãe é um pouco fada... Nossa mãe fada seria.
Se uma bruxa fosse mãe, seria mamãe gozada:
Seria a mãe das vassouras, da Família Vassourada!
Se a chaleira fosse mãe, seria a mãe da água fervida,
Faria chá e remédio para as doenças da vida.
Se a mesa fosse mãe, as filhas, sendo cadeiras,
Sentariam comportadas, teriam “boas maneiras”.
Cada mãe é diferente: Mãe verdadeira, ou postiça, mãe-vovó, mãe titia,
Maria, Filó, Francisca, Gertrudes, Malvina, Alice, toda mãe é como eu disse.
Dona Mamãe ralha e beija,
Erra, acerta, arruma a mesa, cozinha, escreve, trabalha fora,
Ri, esquece, lembra e chora, traz remédio e sobremesa.
Tem até pai que é “tipo-mãe”...
Esse, então, é uma beleza !

terça-feira, 1 de maio de 2012

Coração de vagalume (Coeur de luciole)


Usando palavras

Nos mostramos ao mundo

Chegamos ao outro

E o tocamos profundo

Brincamos com elas

Criamos estratagemas

Fazemos metáforas

E lindos poemas...

Há palavras que ferem

E outras que aliviam

Umas são flechas

Outras são carinhos...

Cactos ou rosas

Urtigas ou jasmim

No nosso universo

Temos um imenso jardim

Então se um dia

Não puder escolhê-las

Talvez pela pressa

Ou por não conhecê-las

Fique em silêncio

Apenas sinta o perfume

E se deixe guiar

Pelo coração do vagalume.

Um dia te conto

Como é esse coração...

Por hora apenas demonstre

Sem palavras...

A sua mais genuína afeição!

Cristina Ferber

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Quanto vale ouvir sua voz?

(Para Afrânio)


Quanto vale ouvir sua voz?

Voz que esquenta

Tal qual vestimenta,

Que move águas

Como numa tormenta

Que nunca foi complemento,

Mas meu mais doce alimento.



Quanto vale ouvir sua voz?

Mesmo que seja por um instante

E que não passe de uma consoante

Vale um sorriso, um abraço, um olhar...

Vale todos os sons que existem

Vale cada segundo de vida

Vale o céu, a terra, o mar

Vale tanto embora pareça pouco

Porque grande é a vontade de amar...



Cristina Ferber

quinta-feira, 19 de abril de 2012

CORREIO



19 de abril.
O ano?
2012.
Abri a porta.
No chão,
Pacote fechado
De cor laranja,
Selado,
Endereçado
À mim!
Enviado pelo poeta amigo.
Ao todo
Trinta e dois poemas,
Dezessete contos,
Nove crônicas
De pessoas
Que deram asas ao seu talento,
E juntos
Criaram a valiosa obra...
Liberdade!


Cristina Ferber

sábado, 14 de abril de 2012

A ARTE DE SER FELIZ



A arte de ser feliz
Passa longe de pensar em si mesmo
De imaginar que todos são inimigos
E construir muralhas a esmo.


A arte se ser feliz
Não tem olhos para a cobiça
E nem deseja que o outro
Simplesmente fraqueje e desista.


A arte de ser feliz
Não se ocupa de comentários abafados
Nem menospreza os amigos
Fazendo-os pequenos e pouco amados.


A arte de ser feliz
Te espera no atelier das virtudes
Onde a leveza e o encantamento
Colorem de honra suas atitudes.


Cristina Ferber

terça-feira, 10 de abril de 2012

JULGAR OU AMAR?

Quem somos,
Para julgar?
Gente comum,
Do mesmo barro,
Que um dia a terra
Sem pedir licença
Irá levar.
Mas ainda assim,
Precipitados, julgamos.
E não nos preocupamos
Com o mal
Que poderá causar.
Julgamos, tiramos o valor,
Apontamos em riste
O dedo acusador
Julgamos levianamente,
Sem precedentes,
Julgamos covardemente,
Só pelo gosto de julgar.



Cristina Ferber

domingo, 8 de abril de 2012

LAMA


(Poesia de Rogério de Freitas, a quem pedi autorização para postar em meu blog, link abaixo, uma vez que compartilho da mesma impressão: lama por todos os lados... Talvez vocês compartilhem também. Um grande abraço!)




Lama!
Intempestiva:
Que invade
os gabinetes,
dos planos,
do planalto,
central.
Não sazonal
Amoral.



Lama!                                  
Que invade
as cidades,
as casas,
os bares,
os prédios
barrocos,
barracos.

Lama!
Obscura.
Opaca.
Não toma
ciência
da trama,
de quem
se deita
na sombra.


Lama!
Que afoga.
Sufoca.
Apavora.
Assola.
Que leva
embora.
Assombra!


Lama!
Lama!
Lama!
Lamentável!
Lama!




sexta-feira, 6 de abril de 2012

PENSANDO NO PESEACH




Quero liberdade                 
Não quero algemas
Quero distância
Da alienação do sistema



Sistema que mente
Persegue, incomoda
Abandona os fracos
Negligencia e poda


Quero justiça,
Igualdade, autonomia
E que os políticos
Se envergonhem da hipocrisia


Quero honra,
Expectativa, solução
Quero discernimento
E menos ostentação


Quero compaixão,
Clemência, sensatez
Quero o mundo
Com menos estupidez!


Cristina Ferber



quinta-feira, 5 de abril de 2012

GUERREIRO MENINO

(Em homenagem a Gonzaguinha)

Le visage couvert

Masquer votre douleur

Les yeux affligés

Vous cherchez l'amour

Ajoelha cansado
Guerreiro Menino
Triste e assustado
Com a rudeza
Do destino.



O rosto coberto
Esconde a sua dor
Os olhos aflitos
Procuram amor.


Te tomo em meus braços,
Te afago com carinho
Seu corpo
É o meu corpo
Minha alma
Seu caminho.


E amanhã, 
Seu coração descansado
De tanta loucura e dor
Baterá com mais fé...
E lutará,
Com o mesmo amor.



Nunca desista, Guerreiro Menino!


Cristina Ferber















http://youtu.be/TzsWHmecuW0

segunda-feira, 2 de abril de 2012

CAPITU

(coupable qui séduit, mais les fleurs ne nous séduire?)

Culpada porque seduz, 

Mas não nos seduzem as flores?

Culpada por envolver,

Mas não nos envolve a luz,

Até o ponto de arder?

Culpada pelo olhar profundo,

E não é profundo o universo,

Que abriga o nosso mundo?

Enfim, culpada por ser mulher,

E reunir em sua tão delicada forma,

A coragem,

A audácia

E o prazer,

De buscar dentro da vida,

O que lhe possa satisfazer.

Culpado não seriam os ciúmes,

Daquele que tem medo de perder,

Mesmo que seja  por um vislumbre,

A idéia de ser dono de outro Ser?



Cristina Ferber

sábado, 31 de março de 2012

DUAS VIDAS (deux vies)

(Deux vies important

Deux êtres,

Deux avenir

ensemble ,

Dans un monde impur)
Duas vidas
Importantes,
Duas promessas,
Triunfantes.
Dois inícios,
Indefesos.
Duas formas,
Dois começos.
Dois seres,
Dois futuros,
Entrelaçados,
Num mundo impuro.
Bebê criança,
Bebê planta,
Tão carentes,
De proteção.
Duas formas,
Duas vidas,
Em que não há
Comparação!


Cristina Ferber

PÉROLAS

Da dor surgiu uma lágrima,
Da lágrima,
Uma pérola,
Da pérola,
Um brinco.
Um brinco de madrepérola,
Creme,
Dourada
Ou negra,
Que tem por atributo,
Mostrar singular beleza...
Beleza incontestável,
Vinda da hábil natureza,
De transformar o que é dor,
Em sublime expressão de nobreza!


Cristina Ferber

sexta-feira, 30 de março de 2012

A DANÇA DO SONO



Vai, me deixa galante dançarino,
Não quero dormir ainda...
O que te faz atado ao meu destino
De intenso sono tão cristalino?



Hábil bailarino, amante e senhor
Que me envolve em seus passos
Que me entorpece os sentidos
Me liberta deste torpor...


Meu dançarino do sono
Me devolva a consciência
Me restitua a nobreza
De fitar a vida, enfim...


Há tanto que fazer,
E o dia já se finda...
Me desperta, me reanima
Vai-se pra longe de mim.



                                              Cristina Ferber

quarta-feira, 28 de março de 2012

ESCOLHAS



Escolho o silêncio,
A calma,
O repouso.
Escolho o mistério
Do dia chuvoso.


Escolho o sorriso,
O júbilo,
A alegria.
Escolho o entusiasmo
Da energia.


Escolho a emoção,
A afeição,
O sentimento.
Escolho a magia
Do encantamento.


Escolho a vida,
A fé,
A esperança.
Escolho a chance
De promover a mudança.


Escolho caminhos,
Arriscados e estreitos.
Escolho o olhar
Sem preconceitos.



Cristina Ferber

terça-feira, 27 de março de 2012

IMPERFEITA! (imparfait!)

(Il n'était pas si ...

Ce n'était pas si bon ...

Ce n'était pas,

Je pensais que ...)

Não era assim...
Não ficou tão bom...
Não foi isto,
Que pensei...
Alma minha,
Devolva-me a alegria,
Que pelos cantos deixei!


De pensar em ser a melhor
Ou em ter
O que sempre almeijei,
Fui perdendo horas de vida...
Fui deixando de me fazer bem.



Hoje faço
E não me importo
Com detalhes e correção,
Pois a felicidade ainda mora,
Onde sequer desconfia a perfeição.



Cristina Ferber

CORAGEM (COURAGE)

Nous sommes nés nus,

Jusqu'à ce que nous apprennent à cacher

Qui nous sommes et ce que nous voulons,

Notre propre façon d'être ...)


Com disfarce somos muitos
Sem ele, apenas um.
Postar-se perante o mundo,
Deveria ser algo comum.


Nascemos sem disfarces,
Até que aprendemos a esconder
Quem somos e o que queremos,
O nosso próprio jeito de ser...


Amanhã vou acordar
E não irei mais me esconder
A quem amava meu disfarce,
Nada terei a oferecer.


Cristina Ferber

segunda-feira, 26 de março de 2012

MENINA ESPERANÇA



Menina Esperança
Vestida de rosa,
Alegre criança
Que anda descalça.



Carrega lacinhos
Em suas louras tranças,
As sardas no nariz,
Sorriem quando dança.


Perdi meus sonhos,
Menina Esperança.
Já não me lembro,
Onde os guardei...


E ela me olha,
E não me responde,
Por certo quer brincar,
De esconde-esconde...



Cristina Ferber




sábado, 24 de março de 2012

VIOLETAS, AMIGAS OU BORBOLETAS?

Violetas,
Mimosuras
Ou talvez sejam
Apenas travessuras...
De borboletas
Que se fazem
De violetas
Em vasinhos
Especiais...


Violetas,
Amigas
Reunidas,
Na saudade...
Que contam casos,
Celebram a vida,
Evitam a despedida
De amizades
Especiais...


Cristina Ferber


sexta-feira, 23 de março de 2012

CHUVA, QUANTAS FACES TEM?



Chuva de esperança,
Que conforta,
Alivia e fortifica.


Chuva de loucura,
Que entristece,
Aflige e aborrece.


Chuva forte,
Que precipita,
Magoa e espanta.


Chuva fraca,
Que refresca,
Alegra e desanuvia.


E entre tantas faces da chuva,
Algumas boas,
Outras não,
Com elas nascemos,
Crescemos,
E morremos,
Não importa,
Se felizes ou não.


Cristina Ferber




quinta-feira, 22 de março de 2012

NÃO ESTAMOS SÓS! (nous ne sommes pas seuls)

(Essuyez les larmes, Mon doux ami)


Enxugue as lágrimas
Meu doce amigo
Estou contigo
Na sua aflição.


Não será este sofrimento
Que lhe abaterá
Não será essa dor
Que o destruirá.


Trago-lhe a paz
Alento e conforto
Trago-lhe esperança
E vontade de lutar.


Vim do Cosmos,
Do céu, do éden
Vim de longe
Só para lhe reconfortar.


Cristina Ferber

terça-feira, 20 de março de 2012

CORAJOSAS VALQUÍRIAS (Valkyries gras)




  (Dedico este poema a todas as jovens que acreditam na vida)
(Je dédie ce poème à tous les jeunes qui croient en la vie)




Mais qui sont-ils,

 Les Walkyries?
                               


Mas quem são elas,

As Valquírias?

Na mitologia,

Filhas de Odin.

No dia a dia,

Moças trabalhadeiras,

Jovens guerreiras.

Algumas são mães,

Trabalham e estudam,

Vislumbram e constroem

Um novo mundo.

Tanto faz...

Se têm cavalos alados

Ou um jovem ao seu lado.

Para as Valquírias,

A luta é intensa

A coragem é imensa

Para suportar...

Os dias que chegam

As noites que se vão,

Carregando a juventude,

Que as fazem amar...

O mundo que existe,

O mundo em que vivemos,

O mundo que queremos,

Aprimorar.



Cristina Ferber

segunda-feira, 19 de março de 2012

PAINEIRA-ROSA



(Em Curitiba, Carlos Eduardo, empresário, se acorrentou a uma paineira-rosa, determinado a salvá-la do
corte)


Paineira, paineirinha...
Que aborrecimentos causou?
Não sei. Respondeu ela
Apenas existo. Murmurou.


Imponente árvore frondosa,
Ostenta envaidecida flores rosa
Tal qual um ornamento sublime,
Majestosa, linda, silenciosa...


Em seus galhos a paineira abriga
Delicados ninhos, feitos com carinho.
Seus frutos revestidos de plumas,
Viram travesseiros de passarinhos...


E a serra ameaça a preciosa
Pô-la abaixo, sem demora
Transformá-la em simples fragmento
Atestar por completo seu desaparecimento.


E quem será o vencedor,
Dessa batalha tão cruel?
A serra e o serrador
Ou a paineira e seu amigo fiel?


Cristina Ferber




sábado, 17 de março de 2012

FELIZ ANIVERSÁRIO!


Sorria para a vida
Busque alternativas
Veja os caminhos
Tenha uma diretriz!


Conviva com as pessoas
Viva na expectativa
Ame a família
Preserve sua raiz!


Vibre com o aniversário
Use a imaginação
Se permita a iniciativa
De ser feliz!



Cristina Ferber

ADEUS MENINO MAR (garçon au revoir à Mars)


Dorme o mar
Sob o ninar da Lua
E suave respira
Ondas de espuma.


De dia, acorda
E reflete luz azul
Buscando as andorinhas
Que migram para o sul.


Seu brinquedo são estrelas
De cinco pontas
Que colhe nas rochas
Quando o sol desponta.


Amigos golfinhos
Nadam nas enseadas
Chegam em cardumes
Iniciando a jornada.


A beleza e harmonia
Do nosso menino
É alegria da mãe lua
E à noite, a faz brilhar.


Mas quando o óleo
No mar é derramado
E de sua garganta
Sai um grito sufocado...


A lua chora...
Tristes lágrimas de vida...
Pois sofre o amor
Na hora da despedida.



Cristina Ferber

quinta-feira, 15 de março de 2012

PIETÀ




Das mãos de Oscar Luiz
Irreverente artista argentino
Surge na areia, Pietà
A Piedade, mãe do Divino


Exposta na calçada,
Entre o asfalto e construções
A imensa dor de Maria
Nos remonta ao tempo da humilhação


Grãos de pó que deram vida
A uma das mais belas visões
Do abraço sofrido de Maria
Em Jesus, nosso abençoado irmão.


Chuva e vento levarão
A nossa formosa Pietà de areia
Mas a história desse sublime instante
Iluminará nossas aflições como uma candeia.



Cristina Ferber

quarta-feira, 14 de março de 2012

SOBRE DUAS RODAS



Sobre duas rodas
Lá vai Juliana
Pedalando sua juventude
De semana em semana


A Avenida Paulista
É seu caminho habitual
É lá que vê os amigos
Como num breve ritual


Pedalar é aventura
Exercício de prazer
A distância pouco importa
O que interessa é percorrer.


Mas chega a força bruta
Do louco trânsito violento
Que arrebata a moça
Com a velocidade do vento.


Eu estou aqui! Grita Juliana.
Mas foram suas últimas palavras...
E como um pássaro abatido
É no asfalto jogada...


Um dia, Juliana, um dia...
Quando Marias, Márcias e Luizas
Também se forem na Av. Paulista
Aí sim, haverá de ser feita uma ciclovia!

Cristina Ferber